13, October de 2026

Conhecer os próprios direitos pode fazer a diferença na vida de uma pessoa, especialmente quando surgem dúvidas sobre aposentadoria, descontos em benefícios ou empréstimos consignados. Mas, no Centro de Convivência de Idosos (CCI), unidade vinculada à Prefeitura Municipal Anápolis, a informação jurídica veio acompanhada de escuta, acolhimento e momentos de descontração. Na semana passada, estudantes do 10º período do curso de Direito da Faculdade Raízes realizaram uma atividade de extensão curricular que reuniu orientação jurídica, integração social e cidadania.

Vinculada à disciplina de Direito Previdenciário, a ação atendeu 45 pessoas idosas, com esclarecimentos sobre direitos previstos na legislação, benefícios previdenciários e assistenciais. Os acadêmicos também distribuíram materiais informativos e arrecadaram leite para a instituição. A programação incluiu bingo e lanche, criando oportunidades de convivência entre os participantes e a comunidade acadêmica.

Durante os atendimentos, os estudantes identificaram demandas relacionadas a empréstimos consignados e descontos em benefícios previdenciários, incluindo relatos de contratações não reconhecidas e questionamentos sobre juros considerados abusivos. Dúvidas sobre revisão de aposentadorias e outros benefícios também estiveram entre os assuntos mais frequentes.

Conforme a necessidade de cada caso, os participantes receberam orientações sobre a possibilidade de dar continuidade ao atendimento no Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) da Faculdade Raízes, para análise das situações e adoção das medidas jurídicas cabíveis.

Aprendizado que ultrapassa a sala de aula

Para a professora Priscilla Cavalcanti, responsável pela atividade, a experiência contribui tanto para a formação técnica quanto para o desenvolvimento da consciência cidadã dos futuros profissionais. “A atividade, para além da aplicação técnica do Direito Previdenciário, garantiu a formação cidadã dos estudantes, marcada e constituída pela vivência dos seus conhecimentos, que, de modo interprofissional e interdisciplinar, segue sendo valorizada e integrada à matriz curricular do curso de Direito da Raízes”, destaca.

A vivência permitiu aos acadêmicos traduzir conteúdos jurídicos em orientações acessíveis, considerando as situações concretas apresentadas pelos participantes. O contato direto com a comunidade também favoreceu o desenvolvimento de habilidades de comunicação, escuta e identificação de demandas, aproximando a formação acadêmica da realidade social.

O estudante Sérgio Gabriel ressalta que os projetos de extensão realizados semestralmente pela faculdade representam uma oportunidade de levar conhecimento à população. Durante a visita, os acadêmicos abordaram o Estatuto da Pessoa Idosa e explicaram direitos relacionados à Previdência Social, ao atendimento prioritário e à tramitação prioritária de processos judiciais, entre outros temas.

Para ele, iniciativas dessa natureza ajudam a tornar os direitos mais conhecidos e demonstram como o conhecimento adquirido na graduação pode contribuir para a vida das pessoas.

Convivência e valorização das pessoas idosas

Além das orientações jurídicas, a interação durante o bingo e o lanche foi um dos momentos marcantes da atividade. Para a acadêmica Simone Matos, a visita chamou a atenção pela oportunidade de oferecer aos participantes não apenas informações, mas também um espaço de convivência e reconhecimento.

Ela relata que uma das pessoas atendidas afirmou ter vivido a melhor tarde do ano, destacando a alegria proporcionada tanto pelo esclarecimento de dúvidas jurídicas quanto pela descontração da programação. “É importante dar esse momento de fala para eles, esse momento de descontração, momento de realmente se sentir acolhido, se sentir parte da sociedade. Porque eles são parte da sociedade”, afirma Simone.

A estudante também chama a atenção para a necessidade de ampliar o olhar da sociedade sobre as pessoas idosas, valorizando suas experiências e garantindo espaços de participação e escuta. Para ela, iniciativas de convivência e acolhimento não devem se restringir às instituições de ensino, mas podem ser incorporadas ao cotidiano de diferentes grupos sociais.

Para a professora Priscilla Cacalcanti, a atividade no CCI reforça, assim, a importância da extensão universitária como instrumento de aproximação entre a instituição de ensino e a comunidade. Ao unir orientação jurídica, atendimento humanizado e convivência, a ação proporcionou aos participantes acesso a informações relevantes para a defesa de seus direitos e aos acadêmicos uma experiência prática sobre a função social do Direito e a importância do acesso à Justiça.

 

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